domingo, 22 de fevereiro de 2015

O trabalho na ética capitalista

                 Já vimos em nossas aulas que o trabalho é inerente aos seres humanos. Essa crença vem do Renascimento. No período moderno se criou a crença de que o trabalho faz parte da essência humana, ou seja, a crença de que o trabalho nos diferencia dos outros animais. Com o fim da lógica medieval, os seres humanos puderam se reconhecer como cidadãos por meio de suas conquistar que viriam do suor. A cidadania não era mais algo natural, sem que pudéssemos intervir nesse processo de construção social. Agora, diferentemente do que ocorria na antiguidade e na era medieval, o trabalho adquiriu reconhecimento para se conquistar o reconhecimento em sociedade. Em meio a essa mudança, surgiram algumas utopias de que o ser humano poderia se realizar por meio do trabalho.
            Nicolau Maquiavel afirma que os homens possuíam ou uma necessidade de trabalhar ou escolhiam trabalhar, sendo que haveria mais virtude caso pudessem escolher em vez de ser uma necessidade. Assim, já podemos encontrar no pensador moderno a noção do trabalho como realizados, como promotor da virtude.
            Devemos também falar que o trabalho, na transição da sociedade feudal para a sociedade moderna era visto inicialmente como um fator de enriquecimento pessoal, o que o levava a ser considerado um pecado. Mas na lógica capitalista, passou a ser visto como vontade divina. A reforma religiosa deixou isso evidente. Tome-se como exemplo Martinho Lutero, que apesar de condenar o lucro e a usura, contribuiu fortemente para o espírito capitalista. Condenava o enriquecimento à custa de outros, afirmando que isso era um sinal de ausência de graça divina, mas afirmava conformação a situação de cada um na sociedade, ou seja, se for possível economizar por meio de seu próprio trabalho, isso seria muito bem visto.

            A ética capitalista aproveitou-se desse fator religioso. Pois agora era possível afirmar o trabalho como algo positivo e consequentemente, o enriquecimento como fruto de esforço pessoal e também como graça de Deus. Logo, a ociosidade, mesmo entre as classes ricas passou a ser vista como uma espécie de negação de Deus. Só se mostrava a verdadeira fé por meio do esforço e por meio de trabalho produtivo. Os burgueses passaram a utilizar o trabalho como sua oração. Quem aceitasse a pobreza não encontraria a salvação.

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