Já vimos em nossas aulas que o trabalho é
inerente aos seres humanos. Essa crença vem do Renascimento. No período moderno
se criou a crença de que o trabalho faz parte da essência humana, ou seja, a
crença de que o trabalho nos diferencia dos outros animais. Com o fim da lógica
medieval, os seres humanos puderam se reconhecer como cidadãos por meio de suas
conquistar que viriam do suor. A cidadania não era mais algo natural, sem que
pudéssemos intervir nesse processo de construção social. Agora, diferentemente
do que ocorria na antiguidade e na era medieval, o trabalho adquiriu reconhecimento
para se conquistar o reconhecimento em sociedade. Em meio a essa mudança,
surgiram algumas utopias de que o ser humano poderia se realizar por meio do
trabalho.
Nicolau
Maquiavel afirma que os homens possuíam ou uma necessidade de trabalhar ou
escolhiam trabalhar, sendo que haveria mais virtude caso pudessem escolher em
vez de ser uma necessidade. Assim, já podemos encontrar no pensador moderno a
noção do trabalho como realizados, como promotor da virtude.
Devemos
também falar que o trabalho, na transição da sociedade feudal para a sociedade
moderna era visto inicialmente como um fator de enriquecimento pessoal, o que o
levava a ser considerado um pecado. Mas na lógica capitalista, passou a ser
visto como vontade divina. A reforma religiosa deixou isso evidente. Tome-se
como exemplo Martinho Lutero, que apesar de condenar o lucro e a usura,
contribuiu fortemente para o espírito capitalista. Condenava o enriquecimento à
custa de outros, afirmando que isso era um sinal de ausência de graça divina,
mas afirmava conformação a situação de cada um na sociedade, ou seja, se for
possível economizar por meio de seu próprio trabalho, isso seria muito bem
visto.
A
ética capitalista aproveitou-se desse fator religioso. Pois agora era possível
afirmar o trabalho como algo positivo e consequentemente, o enriquecimento como
fruto de esforço pessoal e também como graça de Deus. Logo, a ociosidade, mesmo
entre as classes ricas passou a ser vista como uma espécie de negação de Deus.
Só se mostrava a verdadeira fé por meio do esforço e por meio de trabalho
produtivo. Os burgueses passaram a utilizar o trabalho como sua oração. Quem
aceitasse a pobreza não encontraria a salvação.
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