sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sócrates e a liberdade

Já vimos todos os dias pessoas que não conseguem se controlar em algumas situações um pouco difíceis. Brigas no trânsito, discussões em família, às vezes até com consequências um pouco mais drásticas. Quando presenciamos este tipo de acontecimento, é comum ouvirmos a afirmação: “Tal pessoa perdeu a cabeça.”, ou “Esta pessoa não é equilibrada.”
            E quando pensamos em uma pessoa que mesmo sem causar qualquer tipo de confusão, não consegue se controlar, o estranhamento é o mesmo. Por exemplo alguém que gaste muito mais do que tem e fique sempre em uma situação complicada.
            Em todos esses casos podemos afirmar sem sombra de dúvida que todos são livres e que por isso podem fazer o que bem entenderem com a suas próprias vidas. Assim, podemos discutir com os outros, gastar à vontade, desrespeitar os mais velhos, maltratar nossos pais... certo?
            Mas será que já pensamos nos grandes estragos se todos agissem assim? Quantas pessoas magoadas, quantas lágrimas, quanto sofrimento isso poderia causar?
            Basta tomarmos como exemplo o que anda ocorrendo no Oriente médio. As pessoas não querem permitir às outras seguir suas próprias ideias e nem mesmo suas próprias crenças. A consequência é a guerra onde muitos são mortos, inclusive jovens das idades de vocês, que não tiveram liberdade alguma para escolher o que quer que fosse.
            Ou seja, temos um problema muito sério se entendermos que a liberdade é poder exercer todos os nossos impulsos sem o pensamento. Ora, vamos agir fazendo o que quisermos mas os outros vão fazer o mesmo. Será que não iríamos fazer com que todos entrassem em conflito?

domingo, 22 de fevereiro de 2015

O trabalho na ética capitalista

                 Já vimos em nossas aulas que o trabalho é inerente aos seres humanos. Essa crença vem do Renascimento. No período moderno se criou a crença de que o trabalho faz parte da essência humana, ou seja, a crença de que o trabalho nos diferencia dos outros animais. Com o fim da lógica medieval, os seres humanos puderam se reconhecer como cidadãos por meio de suas conquistar que viriam do suor. A cidadania não era mais algo natural, sem que pudéssemos intervir nesse processo de construção social. Agora, diferentemente do que ocorria na antiguidade e na era medieval, o trabalho adquiriu reconhecimento para se conquistar o reconhecimento em sociedade. Em meio a essa mudança, surgiram algumas utopias de que o ser humano poderia se realizar por meio do trabalho.
            Nicolau Maquiavel afirma que os homens possuíam ou uma necessidade de trabalhar ou escolhiam trabalhar, sendo que haveria mais virtude caso pudessem escolher em vez de ser uma necessidade. Assim, já podemos encontrar no pensador moderno a noção do trabalho como realizados, como promotor da virtude.
            Devemos também falar que o trabalho, na transição da sociedade feudal para a sociedade moderna era visto inicialmente como um fator de enriquecimento pessoal, o que o levava a ser considerado um pecado. Mas na lógica capitalista, passou a ser visto como vontade divina. A reforma religiosa deixou isso evidente. Tome-se como exemplo Martinho Lutero, que apesar de condenar o lucro e a usura, contribuiu fortemente para o espírito capitalista. Condenava o enriquecimento à custa de outros, afirmando que isso era um sinal de ausência de graça divina, mas afirmava conformação a situação de cada um na sociedade, ou seja, se for possível economizar por meio de seu próprio trabalho, isso seria muito bem visto.

            A ética capitalista aproveitou-se desse fator religioso. Pois agora era possível afirmar o trabalho como algo positivo e consequentemente, o enriquecimento como fruto de esforço pessoal e também como graça de Deus. Logo, a ociosidade, mesmo entre as classes ricas passou a ser vista como uma espécie de negação de Deus. Só se mostrava a verdadeira fé por meio do esforço e por meio de trabalho produtivo. Os burgueses passaram a utilizar o trabalho como sua oração. Quem aceitasse a pobreza não encontraria a salvação.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

O amor suplementar

“É dos mais neuróticos e parasitários o amor que leva uma pessoa a achar a outra um pedaço de si mesma.
            O saudável, nas relações amorosas, seria, primeiro, que a pessoa já tivesse conseguido crescer até o tamanho total de si própria. Depois, aprendesse a viver por si mesma e de si mesma. Só então acasalasse com alguém que tivesse tido igual desenvolvimento e soubesse viver de si mesmo também. Assim, inteiros e juntos, começariam a viver sensações inéditas, extraordinárias, impossíveis de se viver sozinho e que não existem em nós nem sequer em semente. É o amor suplementar de que falamos. Neste ponto, é bom proclamar o que se constitui em nossa ética fundamental: o amor não deve servir para coisa alguma, a não ser para se amar.
            Quando, por uma razão qualquer, a relação amorosa se desfaz, o que se desfaz de fato é só a relação amorosa, e não as vidas e a integridade de cada um. E o que se tem observado é que, por mais denso que tenha sido o amor, quando ele se desfaz nas relações sadias (suplementares), surgem logo novos encontros, novos namoros e relacionamentos; o amor pode se refazer. É outro, original, porém comm intensidade e qualidade semelhante ao anterior.”
FREIRE, R.; BRITO, F. Utopia e paixão.

“Morreu, o nosso amor morreu.
Mas cá prá nós,

Antes ele do que eu...”

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A economia de mercado e o mundo do trabalho

O mundo feudal entra em crise. A subsistência e a servidão entram em crise e dão lugar ao comércio e às atividades manufatureiras. Surge, dessa forma, uma nova ordem social: o sistema capitalista, que se dá com a divisão da sociedade em classes sociais.
            O crescimento de um mercado consumidor conviveu por algum tempo com a antiga escravidão, mas não se ateve a isso... criou, por sua vez, novas formas de escravizar as pessoas. Basta pensarmos nos sistemas coloniais da América, com os habitantes do continente africano vítimas do processo de mercantilização.
            Mas, para um desenvolvimento pleno do que as elites econômicas esperavam, a escravidão não era o ideal, o trabalho livre era o esperado. Enquanto, inicialmente, ao trabalhador europeu se destinava o trabalho assalariado, ao personagem das Américas, se destinava o trabalho forçado. Apenas após séculos, é que se aplicou por aqui a concepção burguesa de liberdade individual, tendo como princípio o fato de que o homem é livre para determinar onde vai utilizar sua força de trabalho.
            Ocorre que essa liberdade de escolha nunca funcionou como o esperado. A produção sempre buscou excedentes, ou seja, produtos que serviriam para a troca por outras mercadorias. Porém, estes excedentes eram sempre propriedade de quem detinha os recursos de produção e nunca do trabalhador que possuía sua força de trabalho. Por exemplo o artesão, que no sistema feudal era proprietário de suas ferramentas e usava seu tempo livremente, desapareceu, pois não estava inserido em outra lógica de trabalho, na qual não possuía mais suas ferramentas e nem mesmo seu tempo livre.

            Houve a separação entre o trabalhador e os meios de produção, ou seja, o mundo capitalista separa o capital do trabalho. Essa separação criou dois tipos de pessoas livres. De um lado, o trabalhador assalariado, que vive exclusivamente de sua força de trabalho e o burguês  ou capitalista, que é proprietário dos meios de produção.

As relações amorosas em questões pessoais – As relações homem-mulher

               Ao observarmos a natureza com mais atenção, vamos perceber determinadas leis universais. Uma dessas leis que pode nos interessar muito neste momento é a lei de atração e repulsão, que está presente o tempo todo em todo o mundo natural.
            Quando falamos por exemplo de átomos... para manter seu movimento constante, o tempo todo estão sob as leis citadas acima. Se unem e se separam. Mas quando ocorre a união, sempre formam uma nova coisa. Por exemplo, quando dois átomos de Hidrogênio se unem a um de Oxigênio, temos a água, substância vital para tudo.
            Nos vegetais, a atração gera cores e perfumes únicos, flores, frutos que gerarão novas sementes que germinarão e se atrairão futuramente.
            Os animais possuem, por sua vez, rituais que culminam no processo de acasalamento, tais como sons, danças, lutas, entre outros... Mas não podemos esquecer que somos também animais e não possuímos mais esses processos tão evidentes como quando estamos em natureza, ou seja, enquanto os animais agem instintivamente, nós agimos por racionalidade. Ou seja, abandonamos o instinto puro e passamos a nos considerar semelhantes às pessoas que amamos. Nos tornamos parceiros, companheiros que se enriquecem com o convívio mútuo.
            Ocorre a união de seres autônomos e totalmente independentes de uma maneira totalmente bela. Basta pensarmos em formas de educação totalmente diferentes que se unem, o que gera pessoas que pensam de maneira diferente, agem de maneiras diferentes, mas que ainda assim encontram meios para permanecerem unidos.

Os mitos de Perseu e Aracne

O mito de perseu

O rei Acrísio consultou um oráculo quando seu neto nasceu. Ouvindo a previsão de que seria morto e destronado pelo próprio neto, resolveu colocá-lo junto com a mãe em uma caixa, dentro de uma embarcação, para que esta levasse os dois para bem longe. Protegida por Zeus, pai da criança, de nome Perseu, a embarcação chegou na ilha de Serifo, onde foi encontrada pelo príncipe da cidade, que casou-se com a mãe de Perseu, Dânae.

      Crescido, Perseu teve autorização de seu padrasto para aventurar-se pelo mundo. Em gratidão, Perseu prometeu-lhe trazer a cabeça de uma das três górgonas como presente. Conduzido pelos deuses, Perseu passou pela morada das grisalhas, seres de um só olho e um só dente, e que conseguiam usá-los, apenas, alternadamente. Perseu roubou-lhes os olhos e dentes, dizendo que só devolveria se elas dissessem onde moravam as ninfas. A chantagem deu certo e foi para lá que Perseu se dirigiu. 
    Com as ninfas, criaturas conhecidas por ajudar pretendentes a heróis, Perseu conseguiu sapatos alados, uma bolsa e um capacete que o tornava invisível; ademais, Hermes o presenteou com uma foice de bronze. Armado, viajou pelo Oceano até a morada das górgonas. Lá, ajudado pela deusa Atena, escolheu a górgona imortal, conhecida como Medusa, para golpear. Arrancou-lhe a cabeça e colocou-a na bolsa sem olhá-la nos olhos para que ele não fosse transformado em pedra.
   Fugindo das irmãs da Medusa, Perseu voou sobre o deserto da Líbia. As gostas de sangue que caiam da cabeça da Medusa transformaram-se em serpentes ao tocarem o chão e, até hoje, esta região tem muitas cobras. Cansado, pediu abrigo ao rei Atlas para descansar, mas foi mal recebido e desrespeitado: o rei expulsou Perseu. Este, enfurecido, transformou seu reino em pedra ao apontar a cabeça da Medusa em todas as direções.
   Continuando a viagem, Perseu avistou uma mortal acorrentada em uma pedra à beira da praia. Conversando com ela, Perseu ouviu que ela estava ali porque os deuses puniram sua família e que o reino de Cefeu só não seria inundado se a princesa fosse colocada em sacrifício a um monstro marinho. Perseu aguardou, então, que a maré subisse e derrotou o monstro, salvando a princesa Andrômeda e a pedindo em casamento.
   A família de Andrômeda ficou maravilhada com o feito de Perseu, que se casou com Andrômeda após derrotar um antigo pretendente dela. Morando agora nas terras de um rei estrangeiro, Perseu participou de uma competição esportiva e, na prova de arremesso de discos, fazendo um lançamento desastroso, acertou seu avô sem saber que ele estava ali. Assim, cumpriu-se a previsão oracular. 

O mito de Aracne


     Aracne era a melhor tecelã da região da Lídia e sua arte era tal que as pessoas diziam que sua mestra havia sido Palas Atena, a deusa da sabedoria. Mas Aracne não gostava desta história e, certa vez, disse a todos:
-          Não aprendi minha arte com a deusa e como prova disso convido-a a competir comigo. Caso ela vença, aceitarei qualquer punição.
    A deusa não gostou e disfarçou-se de uma velhinha para aproximar-se de Aracne. Puxou conversa e disse que a mortal deveria demonstrar humildade com os deuses e pedir perdão a Atena. Aracne chamou a velhinha de louca e disse-lhe que se Atena quisesse dizer-lhe algo, o convite já havia sido feito. Furiosa, a deusa da sabedoria teve sua paciência esgotada, retirou o disfarce e disse a Aracne que a competição para ver quem tecia o tapete mais belo deveria começar imediatamente. Ambas colocaram-se a tecer.
    Atena teceu no seu tapete a imagem do penhasco da acrópole de Atenas, lugar que ela conquistou após uma luta com Posídon, deus dos mares. Teceu também a luta entre ela, armada de escudo e lança (que, quando tocou a terra, deu origem à oliveira na terra infértil), com Posídon, retratado empunhando seu tridente. Além de desenhar sua vitória, Atena colocou em cada um dos quatro cantos do tapete, imagens que simbolizavam a arrogância humana: Hemo e Ródope que chamavam-se de Zeus e Hera e foram transformados em montanhas; a mãe dos pigmeus transformada em garça; Antígona com serpentes na cabeça que não paravam de mordê-la, já que ela comparara-se a Hera, e depois transformada em cegonha; Cíniras chorando por suas orgulhosas filhas.
    Já Aracne, desonrara Zeus no seu tapete: desenhou-o transformado em touro, águia, cisne, sátiro, fogo e chuva de ouro. Quando Atena viu o tapete de Aracne, golpeou-a com um ódio terrível e a perfurou três vezes na testa com a agulha de tecer; além disso, Atena fez os cabelos, o nariz e os ouvidos de Aracne desaparecerem, fez seu corpo diminuir bastante de tamanho e condenou-a a praticar sua antiga arte eternamente, tecendo fios como uma aranha. Segundo o mito, eis Aracne: origem dos aracnídeos.