domingo, 3 de maio de 2015

Voltaire

Voltaire, filósofo francês que viveu entre 1694 e 1778, tentou encontrar uma solução para o problema que estamos discutindo, embora, seja evidente, em um contexto diferente. No Dicionário filosófico, ele escreveu um verbete intitulado “Liberdade de Pensamento”, expondo um conflito entre um general inglês (Boldmind) e um funcionário da Inquisição na Espanha (Medroso). Deste conflito, Voltaire indicou o caminho para escolhermos sem seguir interesses que não são verdadeiramente nossos. Vamos acompanhar o diálogo para encontrar esse caminho:
Liberdade de pensamento
“Boldmind: O senhor é, portanto, sargento dos dominicanos? Então o senhor exerce um trabalho bem vil.
Medroso: É verdade; mas gostei mais de ser criado deles do que ser vítima e preferi a desgraça de queimar o meu próximo à de ser eu próprio cozido.
Boldmind: Que horrível alternativa! Vocês eram cem vezes mais felizes sob o jugo dos mouros que lhes deixaram estagnar livremente no meio das suas superstições e que, embora vencedores, não se arrogavam o direito inaudito de pôr as almas a ferros.
Medroso: O que o senhor queria? Não nos é permitido escrever, nem falar, nem mesmo pensar. Se falamos, torna-se fácil  interpretar as nossas palavras e mais ainda os nossos escritos. Enfim, como não podem condenar-nos a um auto-de-fé pelos nossos pensamentos secretos, ameaçam-nos de sermos eternamente queimados por ordem do próprio Deus se não pensarmos como os dominicanos. Persuadiram o governo que se possuíssemos o senso comum todo o Estado ficaria em combustão e a nação tornar-se-ia a mais desgraçada da Terra.
Boldmind: E o senhor acha que somos assim desgraçados, nós, ingleses, que cobrimos os mares com os nossos barcos e viemos ganhar para vocês batalhas nos confins da Europa? Veja os holandeses que tomaram de vocês quase todas suas  descobertas na Índia e hoje se enfileiram entre os seus protetores: pensa que sejam malditos de Deus por haverem concedido inteira liberdade à imprensa e por fazerem o comércio dos pensamentos humanos? Foi menos poderoso o império romano por Cícero haver escrito com liberdade?
Medroso: Quem é Cícero? Nunca ouvi falar desse homem; não se trata aqui de Cícero, trata-se de nosso santo pai, o papa, e de Santo Antônio de Pádua, e sempre ouvi dizer que a religião romana está perdida se os homens começam a pensar.
Boldmind: Não cabe ao senhor acreditá-lo, pois está seguro que sua religião é divina e que as portas do inferno não podem prevalecer contra ela. Se assim é, nada poderá destruí-la.
Medroso: Não, mas pode ser reduzida a pouca coisa. E foi por terem pensado que a Suécia, a Dinamarca, toda a sua ilha e metade da Alemanha gemem na pavorosa desgraça de não mais serem súditos do papa. Diz-se mesmo que se os homens continuassem a guiar-se pelas suas falsas luzes acabarão em breve por ater à simples adoração de Deus e à virtude. Se alguma vez as portas do inferno prevalecerem até esse ponto, em que se tornará o Santo Ofício?
Boldmind: Se os primeiros cristãos não tivessem a liberdade de pensar, não é verdade que não existiria cristianismo?
Medroso: Que quer dizer? Não entendo.
Boldmind: Acredito. Quero dizer que se Tibério e os primeiros imperadores dispusessem de dominicanos que houvessem impedido os primeiros cristãos de usar penas e tinta; se durante tanto tempo não tivesse sido permitido pensar livremente no império romano, tornar-se-ia impossível aos cristãos estabelecer os seus dogmas. Portanto, se o cristianismo só se formou pela liberdade de pensamento, por que contradição, por que injustiça desejaria aniquilar hoje essa liberdade sobre a qual está fundado?
     Quando lhe propõem algum negócio interessante, não o examina demoradamente, antes de o concluir? Haverá no mundo maior interesse que o da nossa felicidade ou eterna desgraça? Existem sobre a Terra cem religiões e todas lhes condenam à danação por acreditarem nos seus dogmas, que essas religiões consideram absurdos e ímpios; examine, portanto, esses dogmas.
Medroso: Como posso examiná-lo? Não sou dominicano.
Boldmind: O senhor é homem e isso basta.
Medroso: Ai de mim! O senhor é bem mais homem que eu.
Boldmind: A você apenas cabe aprender a pensar; o senhor nasceu com espírito; é uma ave na gaiola da Inquisição; o Santo Ofício lhe aparou as asas mas elas podem voltar a crescer. Quem não sabe geometria, pode aprendê-la; qualquer homem pode instruir-se: é vergonhoso que se deposite a alma nas mãos daqueles aos quais não se confiaria o dinheiro. Ouse pensar por si mesmo.
Medroso: Há quem diga que, se toda a gente pensasse por si, a confusão seria prodigiosa.
Boldmind: Pelo contrário. Quando assistimos a um espetáculo, cada qual dá livremente a sua opinião e a paz não é perturbada; se, porém, algum insolente, protetor de algum mau poeta, quiser forçar todas as pessoas de gosto a considerarem bom o que lhes parece mau, os dois partidos podem acabar alvejando-se com maçãs, como já aconteceu em Londres. São estes tiranos dos espíritos que causaram parte das desgraças do mundo. Na Inglaterra, só somos felizes desde que cada qual goze livremente o direito de exprimir a sua opinião (...)”.
    O problema que temos a resolver é: como fazer escolhas que reflitam o que realmente queremos, o que realmente necessitamos, sem sermos influenciados e manipulados por outrem? Voltaire, pela personagem Boldmind, indicou que estas escolhas precisam passar pelo critério do pensamento: trata-se de ousar pensar por nós mesmos, sem aderir a nenhum projeto sem antes examiná-lo com cuidado, sem entregar nossa alma seja a quem for.


domingo, 15 de março de 2015

Devoração da esperança no próximo

“(…) No individualismo contemporâneo, a impessoalidade converteu-se em indiferença e os elos afetivos da intimidade foram cercados de medo, reserva, reticência e desejo de autoproteção. Pouco a pouco, desaprendemos a gostar de “gente”. Entre quatro paredes ou no anonimato das ruas, o semelhante não é mais o próximo-solidário; é o inimigo que traz intranquilidade, dor ou sofrimento. Connhecer alguém; aproximar-se de alguém; relacionar-se intimamente com alguém passou a ser tarefa cansativa. Tudo é motivo de conflito, desconfiança, incerteza e perplexidade. Ninguém satisfaz a ninguém. Na praça ou na casa vivemos – quando vivemos! – uma felicidade de meio expediente, em que reina a impressão de que perdemos a vida “em colheitas de café”.
            As elites ocidentais são elites sem causa e, no Brasil, estamos repetido o que, secularmente, aprendemos a imitar. Como nossos modelos europeus e americanos, reagimos ao sentimento de miséria em meio à opulência com apatia, imobilidade e conformismo. Construir um mundo justo? Para quê? Para quem? Por um acaso um mundo mais justo seria aquele em que todos pudessem ter acesso ao que as elites têm? Mas o que têm as elites a oferecer? Consumo, tédio, insatisfação e ostentação. Bem ou mal, em nossa tradição moral e intelectual, respondíamos às crises de identidade reinventando utópicas formas de vida em mundos melhores. Hoje, aposentamos os “Rousseau”. Em vez de utopias, manuais de auto-ajuda, psicofármacos, drogas e terapêuticas diversas para os que têm dinheiro; banditismo, vagabundagem, mendicância ou fanatismo religioso para os que apenas sobrevivem (...).
            (...) Fizemos de nossas vidas claustros sem virtudes; encolhemos nossos sonhos para que coubessem em nossas íntimas singularidades interiores; vasculhamos nossos corpos, sexos e sentimentos com a obsessão de quem vive um transe narcísico, e, enfim, aqui estamos nós, prisioneiros de cartões de crédito, uso de drogas e a dolorosa consciência de que nenhuma fantasia romântica pode saciar a voracidade com que desejamos ser felizes. Sozinhos em nossa descrença, suplicamos proteção a economistas, policiais, especuladores e investidores estrangeiros, como se algum deles pudesse restituir a esperança “no próximo” que a lógica da mercadoria devorou(...).”


COSTA, J.F. Folha de São Paulo, 22 de Set.1996. Mais! 5º Caderno. P.5-8.

domingo, 8 de março de 2015

Texto de Adam Smith

“Cada homem vive do seu trabalho, e o salário que recebe deve ser pelo menos suficiente para o manter. Em muitas ocasiões esse salário deve até ser um pouco mais alto; se não, ser-lhe-ia impossível constituir família, e a raça desses homens não passaria da primeira geração. Os trabalhadores comuns, as camadas mais baixas, devem ganhar pelo menos o dobro daquilo que necessitam para sua própria subsist6encia, a fim de que, quando se juntam dois trabalhadores de sexos diferentes, possam das à luz e sustentar duas crianças.”

Adam Smith

domingo, 1 de março de 2015

Política de Aristóteles - Trecho

“A sociedade que se formou da reunião de várias aldeias constitui a Cidade, que tem a faculdade de bastar a si mesma, sendo organizada não apenas para conservar a existência, mas também para buscar o bem-estar. Esta sociedade, portanto, também está nos desígnios da natureza, como todas as outras são seus elementos. Ora, a natureza de cada coisa é precisamente seu fim. Assim, quando um ser é perfeito, de qualquer espécie que ele seja – homem, cavalo, família -, dizemos que ele está na natureza. Além disso, a coisa que, pela mesma razão, ultrapassa as outras e se aproxima mais do objetivo proposto deve ser considerado a melhor. Bastar-se a si mesma é a uma meta que tende a toda produção da natureza e é também o mais perfeito estado. É, portanto, evidente que toda Cidade está na natureza e que o homem é feito para a sociedade política. Aquele que, por sua natureza e não por obra do acaso, existisse sem uma pátria seria um indivíduo detestável, muito acima ou muito abaixo do homem, segundo Homero: um ser sem lar, sem família e sem leis.
            Aquele que fosse assim por natureza só respiraria a guerra, não sendo detido por nenhum freio e, como uma ave de rapina, estaria sempre pronto para cair sobre os outros.
            Assim, o homem é um animal cívico, mais social do que as abelhas ou os outros animais que vivem juntos. A natureza, que nada faz em vão, concedeu a ela apenas o dom da palavra, que não devemos confundir com os sons da voz. Estes são apenas a expressão de sensações agradáveis ou desagradáveis, de que os outros animais são, como nós, capazes. A natureza deu-lhes um órgão limitado e este único efeito; nós, porém, temos a mais, senão o conhecimento desenvolvido, pelo menos o sentimento obscuro do bem e do mal, do útil e do nocivo, do justo e do injusto, objetos para a manifestação dos quais nos foi principalmente dado o órgão da Fafá. Este comércio da palavra é o laço de toda a sociedade doméstica e civil.
            O Estado, ou sociedade política, é a te mesmo o primeiro objeto a que se propôs a natureza. O todo existe necessariamente antes da parte. As sociedade domésticas e os indivíduos não são senão as partes integrantes da cidade, todas subordinadas ao corpo inteiro, todas distintas por seus poderes e suas funções, e todas inúteis quando desarticuladas, semelhantes às mão e aos pés que, uma vez separados do corpo, só conservam o nome e a aparência, sem a realidade, como uma mão de pedra. O mesmo ocorre com os membros da Cidade: nenhum pode bastar-se a si mesmo. Aquele que não precisa dos outros homens, ou não pode resolver-se a ficar com e, ou é um deus, ou um bruto. Assim, a inclinação natural leva os homens a esse genro de sociedade.
            O primeiro que a instituiu trouxe-lhe o melhor dos bens. Mas, assim como o homem civilizado é o melhor de todos os animais, aquele que não conhece nem justiça e nem leis é o pior de todos. Não há nada, sobretudo, de mais intolerável do que a injustiça armada. Por si mesmas, as armas e a força são indiferentes ao bem e ao mal: é o princípio motor que qualifica seu uso. Servir-se delas sem nenhum direito e unicamente para saciar suas paixões ávidas de lucro é atrocidade, desumanidade. Seu uso só é lícito para a justiça. O discernimento e o respeito ao direito formam a base da vida social e os juízes são seus primeiros órgãos.


ARISTÓTELES. Política

Aristóteles - Ética a Nicômaco (Trecho)

Livro I – item 1
[1094 a]- Toda arte e toda investigação, bem como toda ação e toda escolha, visam a um bem qualquer; e por isso foi dito, não sem razão, que o bem é aquilo a que as coisas tendem. Mas entre os fins observa-se uma certa diversidade: alguns são atividades, outros são produtos distintos das atividades das quais resultam; e onde há fins distintos das ações, tais fins são, por natureza, mais excelentes do que as últimas.
            Mas como muitas são as ações, artes e ciências, muitas também são suas finalidades. O fim da medicina é a saúde, o da construção naval é um navio, o da estratégia militar é a vitória, e o da economia é a riqueza. Entretanto, onde tais artes se subordinam a uma única faculdade – como, por exemplo, a selaria e as outras artes relativas aos aprestos dos cavalos incluem-se na arte da equitação, e esta subordina-se, junto com todas as ações militares, na estratégia, e igualmente há algumas artes que se subordinam em terceiras -, em todas elas os fins das artes fundamentais devem ter precedência sobre os fins subordinados, pois, com efeito, estes últimos são procurados em função dos primeiros. Não faz diferença alguma que as finalidades das ações sejam as próprias atividades ou sejam algo distinto destas, como ocorre com as artes e as ciências que mencionamos.

Livro I – item 4
Retomando a nossa investigação, tendo em vista o fato de que todo conhecimento e todo trabalho visa a algum bem, procuremos determinar o que consideramos ser os objetivos da ciência política e o mais alto de todos os bens que se podem alcançar pela ação. Em palavras, quase todos estão de acordo, pois tanto o vulgo como os homens de cultura superior dizem que esse bem supremo é a felicidade e consideram que o bem viver e o bem agir equivalem a ser feliz; porém, divergem a respeito do que seja a felicidade, e o vulgo não sustenta a mesma opinião dos sábios. A maioria das pessoas pensa que se trata de alguma coisa simples e óbvia, como o prazer, a riqueza ou as honras, embora também discordem entre si; e muitas vezes o mesmo homem a identifica com diferentes coisas, dependendo das circunstâncias: com a saúde quando está doente, e com a riqueza quando é pobre. Cônscios, porém, da própria ignorância, admiram aqueles que propõem algum ideal grandioso e inacessível à sua compreensão. Ora, há quem pense que, à parte desses numerosos bens, existe um outro que é bom por si mesmo e que também é a causa da bondade de todos os outros. Seria talvez infrutífero examinar todas as opiniões que têm sido sustentadas a esse respeito; basta considerar as mais difundidas ou aquelas que parecem ser mais razoáveis.
Atendemos, porém, para a diferença entre os argumentos que procedem dos primeiros princípios e os que levam a eles. Com efeito, Platão já havia levantado esta questão, perguntando, como costumava fazer: “estamos no caminho que parte dos primeiros princípios ou no que se dirige a eles?” Aqui há uma diferença análoga àquela que há, em estádio, entre a reta que vai do ponto em que ficam os juízes até o ponto de retorno, em um sentido, e o caminho de volta, no outro sentido. De fato, embora devamos começar pelo que é conhecido, os objetos de conhecimento o são em duas acepções: alguns o são relativamente a nós, outros na acepção absoluta do termo. Por conseguinte, é de se presumir que devamos começar pelas coisas que são conhecidas a nós. Por essa razão, quem quiser ouvir com proveito as exposições sobre o que é nobre e justo, e em geral sobre a ciência política, é preciso ter sido educado nos bons hábitos. O fato é o princípio, ou o ponto de partida, e se ele for suficientemente claro para o ouvinte, não haverá necessidade de explicar por que é assim; e o homem que foi bem educado já conhece esses princípios ou pode vir a conhecê-los com facilidade. Quanto ao que nem os conhece nem é capaz de conhecê-los, que ouça as palavras de Hesíodo:
Ótimo é aquele que de si mesmo conhece todas as coisas;
Bom, o que escuta os conselhos dos homens judiciosos.
Mas o que por si não pensa, nem acolhe a sabedoria alheia,
Esse é, em verdade, um homem inteiramente inútil.

ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco.

Mundo capitalista e o trabalho (continuação)

O mais importante fator para a Filosofia que marcou a transição para o mundo do capitalismo foram os teóricos do chamado liberalismo econômico. Estes teóricos descobriram no trabalho a fonte de toda a riqueza, seja individual, seja coletiva. O mais importante dos autores dessa transição foi Adam Smith, que defendia que toda a riqueza de uma nação dependia da produtividade baseada na divisão do trabalho. Em outras palavras, o trabalho que era realizado por um único ser humano agora passou a ser executado por vários trabalhadores que se especializaram em tarefas específicas e que se complementavam entre si.
            A produção se tornou mecanizada e com isso foi considerada a essência da sociedade do trabalho. O trabalho produtivo passou a ditar as regras da sociedade.
            Estamos, neste momento, falando sobre a Revolução industrial, que significou, além de um progresso, uma espécie de controle da sociedade. As classes dominantes da sociedade desejavam expandir o mercado e para isso era preciso universalizar esta nova ordem social.
            Era o fim declarado da autonomia do trabalho artesanal e a domesticação dos trabalhadores dentro dos muros das fábricas. A teoria defendida por Smith acabou por destruir o saber fazer do trabalho artesanal e o substituiu pela maquinofatura, onde os trabalhadores não mais saberiam fazer todos os elementos de seu trabalho justamente pela nova estrutura de uma divisão de especificidades.
            Para o pleno desenvolvimento dessa nova sociedade que era voltada para o trabalho foi necessário construir um corpo disciplinar que envolvesse todos, dentro e fora da fábrica. A ordem burguesa tornou-se a regra com todas as suas implicações na produtividade. Logo, criou-se um discurso que visava instaurar plenamente a ética do tempo útil.
            Sempre que alguém utilizava o tempo de forma não útil e não produtiva, de acordo com as normas impostas pela fábrica, era considerado um preguiçoso e degenerado. Ou seja, apenas o trabalho produtivo era considerado algo que trazia dignidade ao homem.
            Juntamente com os fatores elencados, procurou-se destruir qualquer forma de resistência, tornando mais fácil a imposição do trabalho no modelo fabril. E aos que se recusavam a aceitar essa forma de ordem social era expurgado da sociedade, como por exemplo, a imensa massa de trabalhadores europeus que chegaram à America.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sócrates e a liberdade

Já vimos todos os dias pessoas que não conseguem se controlar em algumas situações um pouco difíceis. Brigas no trânsito, discussões em família, às vezes até com consequências um pouco mais drásticas. Quando presenciamos este tipo de acontecimento, é comum ouvirmos a afirmação: “Tal pessoa perdeu a cabeça.”, ou “Esta pessoa não é equilibrada.”
            E quando pensamos em uma pessoa que mesmo sem causar qualquer tipo de confusão, não consegue se controlar, o estranhamento é o mesmo. Por exemplo alguém que gaste muito mais do que tem e fique sempre em uma situação complicada.
            Em todos esses casos podemos afirmar sem sombra de dúvida que todos são livres e que por isso podem fazer o que bem entenderem com a suas próprias vidas. Assim, podemos discutir com os outros, gastar à vontade, desrespeitar os mais velhos, maltratar nossos pais... certo?
            Mas será que já pensamos nos grandes estragos se todos agissem assim? Quantas pessoas magoadas, quantas lágrimas, quanto sofrimento isso poderia causar?
            Basta tomarmos como exemplo o que anda ocorrendo no Oriente médio. As pessoas não querem permitir às outras seguir suas próprias ideias e nem mesmo suas próprias crenças. A consequência é a guerra onde muitos são mortos, inclusive jovens das idades de vocês, que não tiveram liberdade alguma para escolher o que quer que fosse.
            Ou seja, temos um problema muito sério se entendermos que a liberdade é poder exercer todos os nossos impulsos sem o pensamento. Ora, vamos agir fazendo o que quisermos mas os outros vão fazer o mesmo. Será que não iríamos fazer com que todos entrassem em conflito?