“É dos mais neuróticos e
parasitários o amor que leva uma pessoa a achar a outra um pedaço de si mesma.
O
saudável, nas relações amorosas, seria, primeiro, que a pessoa já tivesse
conseguido crescer até o tamanho total de si própria. Depois, aprendesse a
viver por si mesma e de si mesma. Só então acasalasse com alguém que tivesse
tido igual desenvolvimento e soubesse viver de si mesmo também. Assim, inteiros
e juntos, começariam a viver sensações inéditas, extraordinárias, impossíveis
de se viver sozinho e que não existem em nós nem sequer em semente. É o amor
suplementar de que falamos. Neste ponto, é bom proclamar o que se constitui em
nossa ética fundamental: o amor não deve servir para coisa alguma, a não ser
para se amar.
Quando,
por uma razão qualquer, a relação amorosa se desfaz, o que se desfaz de fato é
só a relação amorosa, e não as vidas e a integridade de cada um. E o que se tem
observado é que, por mais denso que tenha sido o amor, quando ele se desfaz nas
relações sadias (suplementares), surgem logo novos encontros, novos namoros e
relacionamentos; o amor pode se refazer. É outro, original, porém comm
intensidade e qualidade semelhante ao anterior.”
FREIRE, R.; BRITO, F. Utopia e paixão.
“Morreu, o nosso amor morreu.
Mas cá prá nós,
Antes ele do que eu...”
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