quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A economia de mercado e o mundo do trabalho

O mundo feudal entra em crise. A subsistência e a servidão entram em crise e dão lugar ao comércio e às atividades manufatureiras. Surge, dessa forma, uma nova ordem social: o sistema capitalista, que se dá com a divisão da sociedade em classes sociais.
            O crescimento de um mercado consumidor conviveu por algum tempo com a antiga escravidão, mas não se ateve a isso... criou, por sua vez, novas formas de escravizar as pessoas. Basta pensarmos nos sistemas coloniais da América, com os habitantes do continente africano vítimas do processo de mercantilização.
            Mas, para um desenvolvimento pleno do que as elites econômicas esperavam, a escravidão não era o ideal, o trabalho livre era o esperado. Enquanto, inicialmente, ao trabalhador europeu se destinava o trabalho assalariado, ao personagem das Américas, se destinava o trabalho forçado. Apenas após séculos, é que se aplicou por aqui a concepção burguesa de liberdade individual, tendo como princípio o fato de que o homem é livre para determinar onde vai utilizar sua força de trabalho.
            Ocorre que essa liberdade de escolha nunca funcionou como o esperado. A produção sempre buscou excedentes, ou seja, produtos que serviriam para a troca por outras mercadorias. Porém, estes excedentes eram sempre propriedade de quem detinha os recursos de produção e nunca do trabalhador que possuía sua força de trabalho. Por exemplo o artesão, que no sistema feudal era proprietário de suas ferramentas e usava seu tempo livremente, desapareceu, pois não estava inserido em outra lógica de trabalho, na qual não possuía mais suas ferramentas e nem mesmo seu tempo livre.

            Houve a separação entre o trabalhador e os meios de produção, ou seja, o mundo capitalista separa o capital do trabalho. Essa separação criou dois tipos de pessoas livres. De um lado, o trabalhador assalariado, que vive exclusivamente de sua força de trabalho e o burguês  ou capitalista, que é proprietário dos meios de produção.

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