domingo, 1 de março de 2015

Mundo capitalista e o trabalho (continuação)

O mais importante fator para a Filosofia que marcou a transição para o mundo do capitalismo foram os teóricos do chamado liberalismo econômico. Estes teóricos descobriram no trabalho a fonte de toda a riqueza, seja individual, seja coletiva. O mais importante dos autores dessa transição foi Adam Smith, que defendia que toda a riqueza de uma nação dependia da produtividade baseada na divisão do trabalho. Em outras palavras, o trabalho que era realizado por um único ser humano agora passou a ser executado por vários trabalhadores que se especializaram em tarefas específicas e que se complementavam entre si.
            A produção se tornou mecanizada e com isso foi considerada a essência da sociedade do trabalho. O trabalho produtivo passou a ditar as regras da sociedade.
            Estamos, neste momento, falando sobre a Revolução industrial, que significou, além de um progresso, uma espécie de controle da sociedade. As classes dominantes da sociedade desejavam expandir o mercado e para isso era preciso universalizar esta nova ordem social.
            Era o fim declarado da autonomia do trabalho artesanal e a domesticação dos trabalhadores dentro dos muros das fábricas. A teoria defendida por Smith acabou por destruir o saber fazer do trabalho artesanal e o substituiu pela maquinofatura, onde os trabalhadores não mais saberiam fazer todos os elementos de seu trabalho justamente pela nova estrutura de uma divisão de especificidades.
            Para o pleno desenvolvimento dessa nova sociedade que era voltada para o trabalho foi necessário construir um corpo disciplinar que envolvesse todos, dentro e fora da fábrica. A ordem burguesa tornou-se a regra com todas as suas implicações na produtividade. Logo, criou-se um discurso que visava instaurar plenamente a ética do tempo útil.
            Sempre que alguém utilizava o tempo de forma não útil e não produtiva, de acordo com as normas impostas pela fábrica, era considerado um preguiçoso e degenerado. Ou seja, apenas o trabalho produtivo era considerado algo que trazia dignidade ao homem.
            Juntamente com os fatores elencados, procurou-se destruir qualquer forma de resistência, tornando mais fácil a imposição do trabalho no modelo fabril. E aos que se recusavam a aceitar essa forma de ordem social era expurgado da sociedade, como por exemplo, a imensa massa de trabalhadores europeus que chegaram à America.


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