O mais importante fator para a Filosofia que
marcou a transição para o mundo do capitalismo foram os teóricos do chamado
liberalismo econômico. Estes teóricos descobriram no trabalho a fonte de toda a
riqueza, seja individual, seja coletiva. O mais importante dos autores dessa
transição foi Adam Smith, que defendia que toda a riqueza de uma nação dependia
da produtividade baseada na divisão do trabalho. Em outras palavras, o trabalho
que era realizado por um único ser humano agora passou a ser executado por
vários trabalhadores que se especializaram em tarefas específicas e que se
complementavam entre si.
A
produção se tornou mecanizada e com isso foi considerada a essência da
sociedade do trabalho. O trabalho produtivo passou a ditar as regras da
sociedade.
Estamos,
neste momento, falando sobre a Revolução industrial, que significou, além de um
progresso, uma espécie de controle da sociedade. As classes dominantes da
sociedade desejavam expandir o mercado e para isso era preciso universalizar
esta nova ordem social.
Era
o fim declarado da autonomia do trabalho artesanal e a domesticação dos
trabalhadores dentro dos muros das fábricas. A teoria defendida por Smith
acabou por destruir o saber fazer do trabalho artesanal e o substituiu pela
maquinofatura, onde os trabalhadores não mais saberiam fazer todos os elementos
de seu trabalho justamente pela nova estrutura de uma divisão de
especificidades.
Para o pleno desenvolvimento
dessa nova sociedade que era voltada para o trabalho foi necessário construir
um corpo disciplinar que envolvesse todos, dentro e fora da fábrica. A ordem
burguesa tornou-se a regra com todas as suas implicações na produtividade.
Logo, criou-se um discurso que visava instaurar plenamente a ética do tempo útil.
Sempre
que alguém utilizava o tempo de forma não útil e não produtiva, de acordo com
as normas impostas pela fábrica, era considerado um preguiçoso e degenerado. Ou
seja, apenas o trabalho produtivo era considerado algo que trazia dignidade ao
homem.
Juntamente
com os fatores elencados, procurou-se destruir qualquer forma de resistência,
tornando mais fácil a imposição do trabalho no modelo fabril. E aos que se
recusavam a aceitar essa forma de ordem social era expurgado da sociedade, como
por exemplo, a imensa massa de trabalhadores europeus que chegaram à America.
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